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saudade
saudade dói quando você está longe saudade se mata quando te vejo.. saudade do teu rosto, do teu cheiro, do teu beijo.
saudade é pra poucos, pra quem gosta, pra quem espera, de quem se importa..
saudade por você eu tenho, e como tenho, o tempo todo saudade dum abraço, tua boca, do teu gosto..
saudade da tua mão, do teu sorriso, teu olhar saudade simplesmente de te amar.
Escrito por Edu às 22h29
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"me diz: Por que é sempre assim com você?! um dia imaginei que era pra valer. me diz: Por que é sempre igual?! sempre assim, ilusão. um dia imaginei ganhar teu coração.
mostrei um mundo ao teu redor, bem melhor te dei carinho, me entreguei, não sei (...) se vale a pena, amor, te amar assim.
me deixa te fazer feliz, sei que errei, mas aprendi a olhar nos olhos teus, tentar mais uma vez busquei sorrisos em você, e pude ver, fiquei assim (...) sem muito o que fazer, espero acontecer."
Escrito por Edu às 17h03
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é Natal
"Lembro-me pouco daquele Natal. Claro que muito bem dos convidados, pois como sempre estavam lá meus avós maternos, os tios e tias, pais, irmãos, primos e primas. Aliás, prima, que por desvio do destino está um pouco (bem) afastada. No entanto todos um pouco mais jovens e com os cabelos menos grisalhos. Inclusive eu, que ando sentindo a falta de alguns fios do chamado couro cabeludo.
Depois de um Natal repleto de comidas doces, kiwis no arroz, maçãs no tender no ano anterior, e da ilustre resposta do menor dos primos ao papai-Noel: "eu quero a roupa do tartatugas-ninja e só" - o Natal desse ano chegava com um pouco mais de maturidade da minha parte.
Era anos noventa - adorava gravar Laura Pausini e Guns n´Roses nas fitas K-7 e ainda durmia em três no quarto com meus irmãos e dividia os ármarios, tanto os de roupa quanto os de brinquedo.
Naquele ano que tinha quase terminado, descobri uma farsa. Uma grande surpresa que abala as estruturas de toda criança. O papai-Noel não era Noel, mas Marcinho, tio meu de uns cento e tantos quilos que havia me enganado como ninguém por longos anos.
Marcinho devia estar se sentindo em dívida comigo, o pequeno ex-bobo, que ainda lembrava das barbas do ex-Noel com um certo rancor do tio. Nem Noel nem ninguém, porém, tiravam o sorriso do meu rosto em época de férias. Costumávamos ir viajar pra São José e voltar depois de longa estada. Eu passava meio tempo com os avós e meio tempo com os primos japoneses numa chácara ao longe, na outra borda do Rio Pardo. Meiava o tempo como quem arranca a tampa da laranja pra ver se está doce. Eram quase vinte e seis vinte e sete-avos do tempo ao lado dos garotos de olho meia-vida.
Quase na hora da ceia é a hora do amigo secreto. Dona Marina, sempre muito religiosa, faz uma oração e meu avô Márcio lê o evangelho segundo Jesus Cristo. Depois do respeito ao quase bi-milenar Cristo vinha o que mais me interessava na época: brinquedos.
Eu devo ter tirado meu padrinho Kawana, não me recordo. Ele sempre foi a minha sombra maior nos amigos secretos. Mas a surpresa mesmo foi quando o sorridente Marcinho apontou-me o dedo e fez toda aquela ladainha de amigo secreto. Ele tinha me tirado. O embrulho era pequeno. Talvez fosse um embróglio. Não o presente que eu esperava. Eu queria brinquedo! Já bastavam as roupas da tia e os livretos da avó. Meu caso era com a diversão.
Como todo menino que ganha um presente logo rasguei o pacote para desespero de mamãe - velha mania de guardar embrulhos. Não sobrou nem a fita durex. O sorriso veio, meio que sem graça no meu rosto.
Que diabos seria aquilo? Um cd de um homem barbudo... barba castanha. Não era Noel. - Obrigado tio.. - sempre aprendi a ser educado com os mais velhos. E, assim, esperei a ceia de Natal. O mesmo arroz, o mesmo kiwi e a mesma maçã. Comi como minha barriga pedia. Robusta como minhas bochechas e minhas pernas. Típico gordinho.
Depois da ceia, o último encontro com Marcinho. Em vez de estar brincando de lego ou outros com os demais, fui pra biblioteca com Marcinho. Experiente e sempre atualizado, ele então, usando uma faquinha sem corte, de metal, tirou o plástico do meu novo cd e me mostou:
-Esse, é Raúl. Raúl Seixas. Aquele, da mosca da sopa, lembra!? - como não.. eu adorava a propaganda na tv!- Pra ouvir, você coloca o cd aqui e aperta esse botão, tá? (risos) A música que você deve gostar mais é a onze. pra mudar é este botão.
Foi meu primeiro Natal com um presente menor que meio metro cúbico de pacote. Perdi o Noel e os brinquedos, mas ganhei outro gordinho que soube muito bem me agradar."
Escrito por Edu às 12h08
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o colibri
"ontem a noite eu vi você sorrir pra mim parecia tão real, um vôo, colibri que bate as asas feito louco, tão disposto, tão com gosto, que até achei normal o teu sorriso...
que veio pra me dizer: você é tudo pra mim, e nunca vi alguém tão bem tão belo assim.
que veio pra me dizer: você é tudo pra mim, me entrego em suas asas, colibri
o teu sorriso me lembrou, as flores do jardim "colibrilho" dos teus olhos, como brotos de jasmim que sem sufoco vai crescendo e parecendo mágica, perfume sem igual que até achei normal o teu sorriso
que veio pra me dizer: você é tudo pra mim, e nunca vi alguém tão bem tão belo assim.
que veio pra me dizer: você é tudo pra mim, me entrego nos arranjos de jasmim"
Escrito por Edu às 11h28
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O último encontro
"Tornei a vê-la muito tempo depois do último encontro. Nada
tinha mudado, só uns anos tinham se passado, mas era tudo
como de costume. Vestia-se de saia curta, jeans, e blusa
decotada sem mangas. Realçava curvas que eu jamais havia
visto em seu corpo. O olho continuava claro e reluzente e
no olhar continha a mesma imensidão profunda de quando a
conheci, no meu aniversário de poucos anos, nunca havia
esquecido. Uma calma me tomou pelos braços e foi aí que
percebi que tinham sido anos fundamentais. Não se portava
mais como no cinema há doze anos, nem como quando se
vestiu de fada e despencou dum telhado num breve acidente.
Maturara na cabeça um outro jeito de viver, sem frescuras
e agora com mais virilidade. Era tudo diferente apesar de
continuar como sempre. Ainda era ela. O papo era outro, o
sorriso nascia por outros motivos e já não se espantava
mais quando eu a tocava o braço com a mão gelada do copo
de cerveja. A risada tomava conta e a convivência era de
fácil trânsito. Sem crises, passamos boas horas juntos. Um
fio de cabelo louro e um brinco se perderam, coisa a toa.
quem se lembra?! Difícil mesmo é esquecer. "
Escrito por Edu às 22h40
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Logo
"Querido:
Ando meio mal. Hoje, vinte e cinco anos sem você ao lado meu, me sinto muito fraca. Me falta forças para reagir. Não que minhas pernas, agora finas como um balaústre qualquer, não respondam mais. Mas é que tudo mudou muito de lá pra cá. Nem as pernas, nem o carnaval, nem as flores, nem o sol são como naquele 1954, tão lindo, quando nos conhecemos. Lembro-me de como, naqueles tempos, eu me fantasiava de colombina e te esperava no salão, coberta de serpentina e apertada no coração. As orquídeas eram mais roxeadas e se abriam com um sorriso, o sol era mais afim de brilhar. Brilhava por ser feliz, por ver um mundo feliz. E teu amor, então, provou, mais do que tudo, que não era passageiro. Foram anos esperando esse momento. O momento certo de te escrever. Momento de dizer que logo estarei com você novamente. Se aperte nessa cama aí, vá se acostumando, amor, pois chego sem tardar. Já posso sentir teu abraço, o calor do seu corpo e o beijo que me faltou naquele dia em que você me deixou. Queimo então esse papel, pra você, aí no céu, receber em mãos, com todo carinho do mundo e todo amor que ainda guardo por ti.
Saudades.
Viúva"
Escrito por Edu às 22h59
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Do contador
"Do contador ouvi uns casos como se nada acontecesse comigo
Do promissor ganhei promessas mas nenhuma delas foi cumprida
Do padre ouvi a reza mas não me tocou tão assim
Do professor peguei as aulas e quase nada aprendi
De um senhor ouvi bom dia e veio a chuva que molhou
De minha mãe foi só juízo mas de nada adiantou
De tantas outras ouvi tantas coisas mas nada... com nada me impressionei
E de você? que nada ouvi talvez por isso
me apaixonei."
Escrito por Edu às 00h27
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O que quiser
"Me perdoe se quiser Me ame se quiser Só não me obrigue a ficar contigo se já me trata dum jeito assim, que faz sofrer.
Me perdoe se quiser: Se o amor é grande por que a dúvida?
Me ame se quiser: Se o amor é grande pra que tudo isso?
Não descofie de mim sou assim, simples pôde ver. E só você pôde, um dia junto a mim. Só você
Não desconfie Ame Perdoe se quiser. Faça o que quiser."
Escrito por Edu às 21h15
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saudade
"Não chore Pense pouco É mal mas nem tanto
Te deixo sentir saudade Mas não sinta falta Nem pena
A pena te faz sentir Que não foi o melhor a fazer A pena nos faz pensar e voltar E ver Que há nada adiante
Pois sábio é o silêncio E o tempo quieto Que diz, dá palpite Mas não acredite O dê tempo a você Seja quieto e correto
Não chore Pense pouco Sinta muita saudade
Saudade que dói E dói muito mais Se pensa que passa Ou volta atrás."
Escrito por Edu às 17h02
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Em paz
Não tinha pai, nem tinha mãe. Foi criado com o avô, pai de seu pai. Criado até os 16 anos, quando o velho senhor veio a falecer. Foi um guerreiro, então, o menino. Lutou sozinho por sua vida, sua educação. Passou no vestibular no ano de dois mil e dois aos 18. Tornaria-se mais um desempregado em quatro ou cinco anos. No terceiro ano de sua passagem pela universidade uma outra escolha na vida que lhe tomaria tudo que tinha conseguido até então. O tal referendo proposto pelo governo sobre a comercialização de armas de fogo no país remeteu o pobre menino a cinco anos atrás, quando, já sem os pais vivos, uma arma tirou a vida de seu criador, seu avô.
A escolha pra ele foi fácil. Tão fácil como a perda de sua mente. Perdeu também o bom-senso e o amor pela vida. Tudo estava nas mãos de umas perguntas mal formuladas e nos dedos de outras cem milhões de pessoas. Dia 23, votou 2. Votou sim. O sim perdeu. Mais uma coisa importante em sua ainda curta vida, ele perdeu.
Ficou louco, teve depressão. Quis comprar sua arma, se defender do perigo que agora alertava sua cabeça agora atordoada. Não queria terminar como os outros da família. Com 21 anos, não pode comprar sua arma, a lei não permitia, mas o obrigou a votar.
Morreu agonizando dias depois, de fome, de medo, sem opção, sem armas, e sem necessidade dela pra causar sua morte.
Descanse em paz.
Escrito por Edu às 16h16
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Horizontalização

"Na horizontal todo mundo sabe muito bem. Acontecem as melhores coisas da vida. Não é coisa qualquer, mas sempre uma, assim, mais afetuosa. Se não é com alguém, é com si próprio: é na horizontal que nós organizamos nossos pensamentos. Foi numa dessas aí, na horizontal (ou deitado, como preferir) que, matutando no escuro, ele se organizou um pouco. Chegou a pensar em inventos e revoluções, amores, desenhos, frutas e palpites. Aliás, sempre foi um grande palpiteiro o menino de quem te falo. Uma vez, ainda quando morava na capital, palpitou na cabeça de uma linda jovem brasiliense, Carlota. Loira, sardenta, daquelas que sorriem com a boca fechada, vergonha de mostrar os dentes embora tão brancos. Coisa de menina. Pois é, tanto ele palpitou nos ouvidos da jovem linda moça que acabaram na horizontal os dois. Foi uma noite maravilhosa, e como. Lábios de mel tinha a menina-moça. No outro dia ele, então escreveu um poema, lindo, de morrer, para a moçoila que ao lado se deitava e aos poucos se despia. Tal qual foi a velocidade do encanto da sardenta que mais uma vez restaram os dois na mesma horizontal, e logo, partiu. Foi pra São Paulo e, como te disse no início do relato, estava ele na horizontal denovo, desta vez sozinho e pensativo. Bom, deixando de estória, o moço resolveu-se ao levantar: Mais poemas, mais mocinhas. Mesmo que essas outras não fossem tão inocentes como a tal loira da capital, mas, se horizontalizassem, estava de bom tamanho. Foram poemas e mais poemas e mulheres e mais raparigas deleitando-se com o jovem sabido. Não tardou e mais uma vez se viu sozinho, na horizontal, escrevendo mais e mais pra distribuição entre as donzelas paulistanas. O resultado sempre o mesmo, era algo meio surreal e ao mesmo tempo diretamente proporcional. Quanto mais poemas, mais mulheres. Foram anos ditando poemas que se perderam pelos suspiros das paulistanas, das cariocas e de toda a gente que viera morar na maior e mais movimentada cidade brasileira. Na sua terceira e última deitada a sós com si próprio, o menino, agora moço, pensou: Industrialazação de poemas, capitalização do amor. Sua máquina do amor era uma poetisa mecânica. Tantos poemas foram feitos, e seu valor foi se perdendo. Tantas horizontalizadas sem sentimento. Nunca mais segurou uma caneta, nunca mais se deitou com amor."
Escrito por Edu às 15h31
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E espera
"Era banal a tentativa de deixar de lado tudo aquilo que tinha acontecido. Era tão banal que ele nem sequer tentou. Refez as malas que tinham sido desfeitas a pouco e, a outro pouco, antes ainda, tinham sido feitas em primeira mão. Nem teve tanto trabalho assim, foi fácil: só colocou tudo que tinha lá dentro, tudo. Foram pro baú obscuro de alças as meias, as cuecas, as camisas (não mais engomadas) as calças (de todas as cores), os cinturões, os vinhos e as roupas de cama. Quem iria querer deitar-se em roupa de cama de quem estava pra ser despejado!?
Despejado, o despojado foi saindo sorrateiro, manso como o felino persa que nunca deixa vestígios, mas, veloz como ventos de outubro. Aquele janeiro estava sendo o mais diferenciado entre os últimos dez. Havia dez janeiros na mesma casa de campo; na mesma mesa de jantar, sem nunca uma briga tal qual essa que culminou num trágico adeus.
O adeus não era um adeus normal, pra combinar com o início turbulento de ano; outrora o reveillón havia trazido mais felicidade. Empunhou então, o culpado, não desculpado, sua mala-baú, pelas alças de couro não mais nobres que as botas que calçava. A casa foi ficando distante, assim como o próximo janeiro.
O despojado, agora já despejado, se foi: sem lágrima. Esperando onze meses passarem."
Escrito por Edu às 23h49
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Análise

"Fui pra boemia.. noite escura, sabe como é...? Entrando encontrei uns amigos, a velha guarda. Cumprimentos prá cá, e gesticulações diversas em cada abraço dado. Nada como o abraço de um amigo, que afaga o peito como nenhum outro. Foi nisso que ouvi uma conversa paralela.. Provavelmente mulher por se tratar de fofoca. Cada coisa!! Era comentário sobre os beijos de uma, o vestido de outra, uma pinta mal nascida alí e outras brigas acolá. Sobrou arranhão no rosto e muitas intrigas juvenis...
A noite foi boa, a conclusão veio com o alarme do carro que diparou logo que a cerveja esquentou. Éramos quatro; mas ainda faltava um... ou melhor uma. Ela não apareceria, não por estar peleando com outras megeras, nem por outro motivo banal qualquer. O prazo era longo, outros fatos. Deixava rolar e ia ver.
Nunca imaginei ela aos tapas, nunca imaginei chorar por homem algum, por isso esperava tão afoito. Era quase cinco. Ela veio, com um abraço de espremer as lágrimas, e trouxe a lembrança de uma vida já vivida e que deveria ser esquecida a quaisquer custas. O choro escorreu facilmente, só nos olhos do homem. A mulher sabia: Não passava de uma amiga."
Escrito por Edu às 03h32
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não morras, amigo
não morras amigo muita coisa ainda há por vir não morras amigo que eu preciso seguir e falar dos segredos que cabem a ti falar dos pecados que eu cometi não morras amigo não se deixes levar estendas a mão tens força pra superar não morras amigo pois a vida te deu a cautela enorme com a qual escolheu o caminho mais perto mais perto de mim que seguro tua mão e te peço assim.
não morras amigo.
Escrito por Edu às 19h10
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O dado descalcionismo, prá você.

"Já lá em baixo, depois de muitas horas de ônibus e outros transportantes, estava escuro. Era Peruíbe. Lá que começaria a nova revolução brasileira.
O escuro já não era mais um problema, pois haviam aportado em solo firme, dois andares, mesanino e muita qualidade de vida. Pilares custosos e caminhos sinuosos percurriam o perímetro da casa, sem churrasqueira; típica casa de quem não mora, mas dorme. Nem tranca no portão nem nada.. E este, por sua vez, entreaberto. Cuidado, muito cuidado, podia haver alguém mais que os revolucionários descalcionistas que a pouco baixaram a nevoada serra entre a baixada de Santos e o trânsito de São Paulo.
Nada muito anormal foi averiguado, só a ausência de um tanque e de uma chave dum quartinho qualquer. Esquecido o violão, o som permanente foi logo decidido. Após vista e revista a coleção de Roberto Carlos, o rei, em vinil; Sargent Peppers foi descoberto junto ao éle-pê da Xuxa, um tipo meio antigo. Outras ausências detectadas: escova de dente, e agulha de vitrola. De nada, agora, serviria a antiguidade dos Beatles a pouco redescoberta. A vitrola rodou, algo meio psicodélico. Celulares rodavam, sem som, sem Sargent.
E agora, que faço eu da vida sem você? Sargent ou qualquer tipo de música não soava, nem podia soar.. O som de uma rede televisiva, e uma partida bem disputada na tevê mal sintonizada, tomaram o ambiente, então; enaquanto todos discutiam sintaxes entre outras tonterias de linguagem e bebiam da caipira gelada.
Mais tarde um pouco, a discussão começa, ao redor dos pioneiros do movimento descalcionista brasileiro. Eram eles Henri "Cristo" Trindade, barbudo e cabeludo, assim como um outro personagen pré-românico.. Vestia-se mal, com um esbelto shorte até as canelas, uma sandália marrom-couro com solado emborrachado, e uma camiseta da saudosa Trindade. Godinez OfflaEne, e seu irmão mais novo, GorpoEta. Ambos os familiares, num estilo padrão, turístico a modos de vista caiçara. Vinham vestidos de camiseta tamanho grande e lisa, e shorte de elástico, devido à estética familiar.
Tardando o papo, a convenção social de uso de sapatos e calçados foi definitivamente tomada contra e a libertação dos pés estava por vir. Logo naquela noite, os três, depois da vitória mal sintonizada do time paulistano alvi-verde, partiram para a boemia de um modo diferente, e um tanto mais arcaico, descalços. Estava dado o início do desclcionismo. Datado a oito de outrubro de dois mil e cinco.
Descalcionismo:
arte de andar com os pés descalços/ modo de sentir o chão que se pisa/ modo diferenciado de vestimenta/ maneira de libertação dos dedos/ arte de sentir cada local como nunca antes sentido/ reivindicação de novos passeios urbanos/ aumento de relacionamento ser humano-natureza/ modo refrescante de pisar/ melhor distribuição do peso pelo corpo/ modo não-darwinista de evolução do solado natural/ paricipação histórica em movimentos revolucionários/ entre outros..."
Escrito por Edu às 12h56
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