Corriqueirices


Análise

"Fui pra boemia.. noite escura, sabe como é...? Entrando encontrei uns amigos, a velha guarda. Cumprimentos prá cá, e gesticulações diversas em cada abraço dado. Nada como o abraço de um amigo, que afaga o peito como nenhum outro. Foi nisso que ouvi uma conversa paralela.. Provavelmente mulher por se tratar de fofoca. Cada coisa!! Era comentário sobre os beijos de uma, o vestido de outra, uma pinta mal nascida alí e outras brigas acolá. Sobrou arranhão no rosto e muitas intrigas juvenis...

A noite foi boa, a conclusão veio com o alarme do carro que diparou logo que a cerveja esquentou. Éramos quatro; mas ainda faltava um... ou melhor uma. Ela não apareceria, não por estar peleando com outras megeras, nem por outro motivo banal qualquer. O prazo era longo, outros fatos. Deixava rolar e ia ver.

Nunca imaginei ela aos tapas, nunca imaginei chorar por homem algum, por isso esperava tão afoito. Era quase cinco. Ela veio, com um abraço de espremer as lágrimas, e trouxe a lembrança de uma vida já vivida e que deveria ser esquecida a quaisquer custas. O choro escorreu facilmente, só nos olhos do homem. A mulher sabia: Não passava de uma amiga."



Escrito por Edu às 03h32
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não morras, amigo

não morras amigo
muita coisa ainda há por vir
não morras amigo
que eu preciso seguir
e falar dos segredos que cabem a ti
falar dos pecados que eu cometi
não morras amigo
não se deixes levar
estendas a mão
tens força pra superar
não morras amigo
pois a vida te deu
a cautela enorme
com a qual escolheu
o caminho mais perto
mais perto de mim
que seguro tua mão
e te peço assim.

não morras amigo.



Escrito por Edu às 19h10
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O dado descalcionismo, prá você.

"Já lá em baixo, depois de muitas horas de ônibus e outros transportantes, estava escuro. Era Peruíbe. Lá que começaria a nova revolução brasileira.

O escuro já não era mais um problema, pois haviam aportado em solo firme, dois andares, mesanino e muita qualidade de vida. Pilares custosos e caminhos sinuosos percurriam o perímetro da casa, sem churrasqueira; típica casa de quem não mora, mas dorme. Nem tranca no portão nem nada.. E este, por sua vez, entreaberto. Cuidado, muito cuidado, podia haver alguém mais que os revolucionários descalcionistas que a pouco baixaram a nevoada serra entre a baixada de Santos e o trânsito de São Paulo.

Nada muito anormal foi averiguado, só a ausência de um tanque e de uma chave dum quartinho qualquer. Esquecido o violão, o som permanente foi logo decidido. Após vista e revista a coleção de Roberto Carlos, o rei, em vinil; Sargent Peppers foi descoberto junto ao éle-pê da Xuxa, um tipo meio antigo. Outras ausências detectadas: escova de dente, e agulha de vitrola. De nada, agora, serviria a antiguidade dos Beatles a pouco redescoberta. A vitrola rodou, algo meio psicodélico. Celulares rodavam, sem som, sem Sargent.

E agora, que faço eu da vida sem você? Sargent ou qualquer tipo de música não soava, nem podia soar.. O som de uma rede televisiva, e uma partida bem disputada na tevê mal sintonizada, tomaram o ambiente, então; enaquanto todos discutiam sintaxes entre outras tonterias de linguagem e bebiam da caipira gelada.

Mais tarde um pouco, a discussão começa, ao redor dos pioneiros do movimento descalcionista brasileiro. Eram eles Henri "Cristo" Trindade, barbudo e cabeludo, assim como um outro personagen pré-românico.. Vestia-se mal, com um esbelto shorte até as canelas, uma sandália marrom-couro com solado emborrachado, e uma camiseta da saudosa Trindade. Godinez OfflaEne, e seu irmão mais novo, GorpoEta. Ambos os familiares, num estilo padrão, turístico a modos de vista caiçara. Vinham vestidos de camiseta tamanho grande e lisa, e shorte de elástico, devido à estética familiar.

Tardando o papo, a convenção social de uso de sapatos e calçados foi definitivamente tomada contra e a libertação dos pés estava por vir. Logo naquela noite, os três, depois da vitória mal sintonizada do time paulistano alvi-verde, partiram para a boemia de um modo diferente, e um tanto mais arcaico, descalços. Estava dado o início do desclcionismo. Datado a oito de outrubro de dois mil e cinco.

 

Descalcionismo:

arte de andar com os pés descalços/ modo de sentir o chão que se pisa/ modo diferenciado de vestimenta/ maneira de libertação dos dedos/ arte de sentir cada local como nunca antes sentido/ reivindicação de novos passeios urbanos/ aumento de relacionamento ser humano-natureza/ modo refrescante de pisar/ melhor distribuição do peso pelo corpo/ modo não-darwinista de evolução do solado natural/ paricipação histórica em movimentos revolucionários/ entre outros..."



Escrito por Edu às 12h56
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