Em paz
Não tinha pai, nem tinha mãe. Foi criado com o avô, pai de seu pai. Criado até os 16 anos, quando o velho senhor veio a falecer. Foi um guerreiro, então, o menino. Lutou sozinho por sua vida, sua educação. Passou no vestibular no ano de dois mil e dois aos 18. Tornaria-se mais um desempregado em quatro ou cinco anos. No terceiro ano de sua passagem pela universidade uma outra escolha na vida que lhe tomaria tudo que tinha conseguido até então. O tal referendo proposto pelo governo sobre a comercialização de armas de fogo no país remeteu o pobre menino a cinco anos atrás, quando, já sem os pais vivos, uma arma tirou a vida de seu criador, seu avô.
A escolha pra ele foi fácil. Tão fácil como a perda de sua mente. Perdeu também o bom-senso e o amor pela vida. Tudo estava nas mãos de umas perguntas mal formuladas e nos dedos de outras cem milhões de pessoas. Dia 23, votou 2. Votou sim. O sim perdeu. Mais uma coisa importante em sua ainda curta vida, ele perdeu.
Ficou louco, teve depressão. Quis comprar sua arma, se defender do perigo que agora alertava sua cabeça agora atordoada. Não queria terminar como os outros da família. Com 21 anos, não pode comprar sua arma, a lei não permitia, mas o obrigou a votar.
Morreu agonizando dias depois, de fome, de medo, sem opção, sem armas, e sem necessidade dela pra causar sua morte.
Descanse em paz.
Escrito por Edu às 16h16
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