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"Querido:
Ando meio mal. Hoje, vinte e cinco anos sem você ao lado meu, me sinto muito fraca. Me falta forças para reagir. Não que minhas pernas, agora finas como um balaústre qualquer, não respondam mais. Mas é que tudo mudou muito de lá pra cá. Nem as pernas, nem o carnaval, nem as flores, nem o sol são como naquele 1954, tão lindo, quando nos conhecemos. Lembro-me de como, naqueles tempos, eu me fantasiava de colombina e te esperava no salão, coberta de serpentina e apertada no coração. As orquídeas eram mais roxeadas e se abriam com um sorriso, o sol era mais afim de brilhar. Brilhava por ser feliz, por ver um mundo feliz. E teu amor, então, provou, mais do que tudo, que não era passageiro. Foram anos esperando esse momento. O momento certo de te escrever. Momento de dizer que logo estarei com você novamente. Se aperte nessa cama aí, vá se acostumando, amor, pois chego sem tardar. Já posso sentir teu abraço, o calor do seu corpo e o beijo que me faltou naquele dia em que você me deixou. Queimo então esse papel, pra você, aí no céu, receber em mãos, com todo carinho do mundo e todo amor que ainda guardo por ti.
Saudades.
Viúva"
Escrito por Edu às 22h59
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